Aonde estará a minha Mariposa?*
Oriundo de paupérrima família, não tivera, então, o salutar direito nem de sonhar com os brinquedos que via com as outras crianças. A minúscula renda familiar, oriunda da lavação de roupas – profissão da minha Mãe: lavadeira – mal dava para suprir a mesa com o invariável cardápio: feijão com arroz!
Mesmo sendo criança – à época com três anos – entendia e me contentava em buscar novas formas de distrair-me. Enfim, encontrei-a na natureza. Ficava horas a fio envolvido com a labuta diária das formigas na sua frenética luta pela sobrevivência, buscando os proventos, para as suas despensas proverem. Esta minha observação – digo que até hoje a tenho – levou-me ao respeito pela vida em todas suas formas de existência: animal ou vegetal! Extasiava-me o fato de ver uma borboleta saindo do casulo criado por uma lagarta, as formigas saúva, na sua forma mais tranquila, carregando nas costas as folhas cortadas sem, todavia, demonstrarem o mínimo cansaço. Tudo isso era algo de novo em minha vida que, até hoje, sinto: amor e respeito a todas as formas de vidas existentes na natureza.
Hoje, com o advento destes famigerados conflitos que – se não forem contidos – estarão dando início à Terceira (‘e última’) Guerra Mundial, gerando, enfim, a extinção da humanidade. Convenhamos que tudo isso tivera início com a invasão do Grupo Terrorista Hamas penetrando no território Israelense, onde foram ceifadas várias vidas. O estado de Israel se viu no sacrossanto direito da retaliação. Todavia, cabe uma pergunta: -Será que já não “retaliaram demais”? Será que vale à pena impor a Lei de Talião: Olho por olho, dente por dente? Mas – e sim, assim pensaram – ao término deste louco conflito somente restarão os cegos e banguelas.
Imagino que todos aqueles que a mim dão o prazer de visitarem e ler os meus escritos, estarão a se perguntar: -Qual é a ligação entre uma Mariposa e o Conflito na faixa de Gaza?
Amigos, até hoje, e sendo o adulto que sou, não se afastaram de mim este meu amor e respeito a todas as formas de vida existente na natureza. Ao meu despertar, dirijo-me ao lavatório onde faço a minha higiene matinal. Todavia, antes, tenho o devido cuidado de afastar as pequenas formiguinhas que ficaram – durante todo o período noturno – reabastecendo as suas despensas com os restos do adocicado creme dental que, na noite anterior, ficaram nas bordas do lavatório. Em seguida, pego um pedaço de papel higiênico e, cuidadosamente, vou – aos poucos – afastando-as da Niágara Torneira por ter o medo de matá-las por afogamento. Também há as minúsculas Mariposas, com as suas cores cinza-claro e a cinza-escuro, cujas mesmas formam pequenas manchas nas suas asinhas. Notei, todavia, que as Mariposas sumiram. Preocupado, passei a buscá-las – sem obter o esperado sucesso – nos outros banheiros do apartamento.
Ainda preocupado pensei: -Será que a minha Mariposa fora vítima de uma faminta Aranha – aquela do meu conto O Safari? Se assim fosse, não ficaria triste. Isso faz parte do equilíbrio ecológico imposto pela natureza entre a presa e o predador que nunca mata a não ser pelo fato do equilíbrio ecológico e pelo fato de sobreviver. Na natureza não se mata pelo simples prazer de matar – ato típico do irracional bicho homem que mata pelo vil prazer de matar!
Os dias passaram sem que a minha preocupação também passasse. Sem dar-me por satisfeito, prossegui (Coisa, dirão, de quem não tem o que fazer, a não ser, ter um verdadeiro respeito a todas as formas de vida.) na frenética busca à minha Mariposa. Enfim, vejo-a! Pode até não ser a mesma, porém, fez em mim um enorme alívio por saber que a “minha Mariposa” estava viva e muito bem.
Retorno ao conflito existente na Faixa de Gaza, o aceso estopim para se dar início à famigerada Terceira (e última) Guerra Mundial, gerada pela falta de amor entre os homens dirigentes das suas nações. Eles nunca vão entender que: Não se mata uma ideia com a força das armas, mas, e sim, com uma ideia melhor.
Hoje, os homens dão mais valor ao sangue da terra, o petróleo, que ao sangue – na maioria das vezes – de inocentes seres humanos, nesta bestial guerra de interesses sórdidos, para saciar a vampiresca sede dos vampiros promotores das guerras que – na maioria das vezes são denominadas Guerras Santas. Por ter em meu coração um Deus – bem diferente dos deuses que os homens criaram – fico imaginando como pode existir um deus (Sic!) promotor de fraticidas guerras onde inocentes vidas são ceifadas? Como pode caber nos corações (Será que os parvos: esses desumanos idiotas da objetividade têm coração?) destes governantes, tamanho ódio pelos seres humanos que – na maioria das vezes – são inocentes crianças que nunca chegarão à idade adulta por terem as suas vidas ceifadas neste genocídio promovido pelos detentores dos poderes que lhes foram concedidos?
Prefiro ser como sou: alguém que – como dirão – não tem o que fazer, a não ser ter um verdadeiro coração que respeita a todas as formas de vida.
Se os seres humanos respeitassem as vidas – vegetais e animais – menos conflitos haveria, as guerras acabariam sem acabar com humanidade e a paz haveria de pairar sobre o mundo.
Epílogo
Ao ver o nome do Grupo HAMAS, tive o despertar da minha curiosidade. E ela a mim dizia: - A letra “H”, no HAMAS, ao que parece, dá ao nome um grande poder de destruição. Se o HAMAS é um substantivo, ao retirarmos dele a letra “H” deixará de ser um substantivo e passará a ser um verbo por todos ansiados: o Verbo Amar, quando da sua conjugação na segunda pessoa do presente do indicativo: Tu AMAS!
Ainda – e sob a auspiciosa curiosidade das minhas elucubrações – busquei ajuda do meu amigo Antônio Houaiss. Queria saber o significado do nome da letra H. E ele – sapiente que só – a mim dissera: -“Agá, Título de chefe espiritual dos ismaelitas. Chefe poderoso que não pode ser contestado. Título honorífico dado a pessoas de distinção em países muçulmanos”. (*)
Posto-me de pé, para que, de pé, aplaudir ao sapiente mestre Houaiss!
(*) Dicionário Antônio Houaiss 1ª Edição/2001; Editora Objetiva; Rio de Janeiro; Pág. 111).
Imagem: Google
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