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Altamiro Fernandes
A vida em verso e prosa
Textos

ESTA ERA A NOSSA VIDA... SEM TIRAR NEM POR
 
Cresci em Minas Gerais. Ia para a escola a pé e às vezes com um monte de amigos, e íamos rindo e papeando. Não tínhamos Bolsa Família e nem Vale Gás. Não tinha Google nem celular. As pesquisas de escola eram feitas em bibliotecas (usávamos as Enciclopédia Barsa (*) e Tesouro da Juventude – o Google da nossa época), escritas à mão e se estivesse igual, como no livro, estávamos ferrados.

Na escola tinha o Gordo, o Leitão, o ‘Quatro Olho’ (geralmente, por usar óculos(*), a Branquela (Ou branquelo por ser muito branco.(*). Tinha o ‘Canela Fina’ (por ter as canelas secas.*) o Anão (por ser baixinho(*), Narigudo (por ter um nariz grandão(*), a Olívia Palito (por ser magrela e comprida(*), o Cabeção (por ter a cabeça grande(*), a Sukita (não imagino o porquê*), o Porco da Índia (esta é fácil: por ter os cabelos arrepiados(*), Chiclete (não sei*) e por aí vai...

Todo mundo era zoado. Às vezes até brigávamos, mas logo estava tudo resolvido e seguia a amizade... era brincadeira e ninguém se queixava de Bullying. Tema, hoje, tão em voga!*
Existia o valentão, mas também existia quem defendesse.

Tinha o Dia do Flúor, Dia da Vacina (...). Nossas férias eram de 1º a 31 de julho. Toda a semana, antes de iniciar as aulas, cantávamos o Hino Nacional com a mão no peito e muito orgulho, e ai de quem cantasse errado, cruzasse os braços ou aplaudisse, após cantar o Hino. Cantávamos, também, o Hino à Bandeira, o Hino da Independência. Tinha o desfile de Sete de Setembro e a gente sempre querendo ser o destaque...


O famoso “Ki suco” que, com Cr$0,10 comprávamos, era o “único pó” que conhecíamos. Fazíamos 2 litros com um pacotinho e a língua ficava colorida por uns dois dias. Tinha o Chiclete Ping-Pong.

Época em que ser gordinho(a) era sinal de saúde e se fosse magro, tínhamos que tomar o Biotônico Fontoura.

A frase: -“Peraí mãe!” Era para ficar mais tempo brincando na rua e não no celular ou computador. Colecionávamos figurinhas, papel de carta, boneca de papel. As brincadeiras eram saudáveis, brincávamos de bater em figurinhas e não nos nossos Professores. Jogávamos vôlei na rua. Nossa aventura era tocar a campainha e sair correndo, “sorrindo em disparada pela rua (*)”.

Na rua, brincávamos de Bola, Pique-esconde, Queimada, Namoricos, Pega-pega, Andar de Bicicleta, Pular Corda, Elástico (...), todo mundo brincava junto e como era bom. Bom, não! Era maravilhoso ser criança, bem criança mesmo!

Que saudade dessa época em que a chuva tinha cheiro de terra molhada! Época em que nossa única dor era quando usávamos o Merthiolate em nossos machucados, pelas travessuras que fazíamos por sermos crianças (*).

Éramos felizes em comparação com esse mundo de hoje onde tudo se torna bullying ou preconceito. Cheio de ‘mi mi mis’. (*)
Nossos pais eram presentes. Educação era em casa. Nada de chegar em casa com algo que não era nosso. Desrespeitar alguém mais velho ou se meter em alguma conversa (somente o olhar bastava ao nos dizer: - Escafeda-se!*). E lá vinha o famoso e terrível: -“Em casa a gente conversa!”

E tínhamos hora para chegarmos: 10.00h da noite e nem um minuto a mais. Tínhamos que nos levantar para os mais velhos se assentarem. Hoje, isso é “mera caretice.” (*)

Fico me perguntando: - Quando foi que tudo mudou e os valores se perderam e se inverteram dessa forma?

Se você também é dessa época, copie, cole no seu mural. Mude o que for incompatível. Mude para mudarmos o mundo ao lapidar as nossas crianças!(*)

São esses (*) os valores que temos que resgatar.

Época boa demais!
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Os asteriscos (*) inseridos neste texto foram acréscimos nossos, pelos quais nos desculpamos com o autor anônimo a quem transmito os meus mais efusivos parabéns pela brilhante obra que me levou às saudosas lembranças de uma juventude saudável e feliz que, antes, desfrutei!
 
Atenciosamente!
 
Altamiro Fernandes da Cruz
Imagem: Google
Altamiro Fernandes da Cruz
Enviado por Altamiro Fernandes da Cruz em 22/10/2020
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